FIV, FeLV e PIF

FIV  – Vírus da Imunodeficiência Felina

O FIV é conhecido como a Sida dos Gatos, pois os seus sintomas e contágio são muito idênticos à Sida Humana, transmitindo-se apenas em ato sexual ou sangue com sangue. Um felino com FIV pode viver muitos anos e em bom estado junto da sua família, não tem qualquer perigo de contágio para o Humano e pode-se proteger os outros felinos que se encontram no mesmo meio que o felino positivo, com as vacinas indicadas para o vírus e esterilização, desta forma a possibilidade de contágio é nula.

Ainda existe algum preconceito em relação a este vírus e são muitos os felinos que são eutanasiados e/ou deixados para trás, mas na verdade não há ração para tal, pois um felino FIV positivo pode alcanças os seus 15 anos ou mais.

Sintomas

O FIV desenvolve-se por fases e durante grande parte do tempo, o gato não manifesta sintomas de qualquer infecção. Numa primeira fase, o gato pode manifestar febre sem razão aparente, mas pode também não evidenciar qualquer sintoma. Numa segunda fase, o número de linfócitos começa a diminuir, mas o gato permanece assintomático. Os gatos aparentam assim estar saudáveis. Nestes estados, podem contudo transmitir a doença a outros felinos. A terceira fase está associada ao aparecimento dos primeiros sintomas, em que o gato pode perder peso e alterar o seu padrão de comportamentos. Geralmente a primeira fase manifesta-se alguns meses após a infecção e dura sensivelmente dois meses. As outras fazes podem durar meses ou anos.

Na quarta fase os sintomas começam então a manifestar-se de forma mais recorrente. Com a destruição das células de defesa, os gatos ficam vulneráveis perante os vírus, incluindo os mais fracos, tais como os responsáveis por uma simples constipação. Os sintomas do FIV começam então a manifestar-se através da ocorrência frequente de infecções, algumas até pouco usuais, que em estado saudável seriam facilmente combatidas pelo gato: gengivites, estomatites, otites, infecções respiratórias, etc.

A última fase corresponde ao Síndrome de Imunodeficiência Adquirida. Com o sistema imunitário arrasado, o gato tem já pouco tempo de vida, apenas alguns meses. Mas os avanços médicos vão permitindo cada vez mais a extensão deste prazo. Fulminante parece ser a combinação de FIV e FeLV (leucemia felina).

O FIV afecta gatos de todas as idades, mas os estudos realizados neste campo indicam que a doença manifesta-se geralmente em animais com idade superior a cinco anos, com tendência a surgir cada vez mais tarde na vida do gato.

Cuidados especiais

Um felino FIV positivo pode passar toda a sua vida praticamente sem demonstrar nenhum sintoma do vírus, o que aconselhamos a fazer perante um felino FIV positivo:

  • Consultas ao veterinário mais frequentes (principalmente quando deteta algum pequeno sintoma);
  • Vacinação em dia;
  • Esterilização;
  • Uma alimentação rica e especifica que pode até ajudar a reforçar o seu sistema imunitário (pode aconselhar-se junto do seu veterinário).

Como proteger o felino que não é portador

Como já referimos é perfeitamente possível ter gatos não portadores do vírus a viverem e a conviverem juntos na mesma casa sem perigo de contágio, pois apenas é transmitido em lutas com contacto de sangue e ato sexual. O que aconselhamos sempre juntamente com as Clinicas Veterinárias que nos ajudam é a vacinar o felino não portador contra o vírus e esterilizar todos os gatos para que não haja possibilidade de lutas e atos sexuais, desta forma pode viver em harmonia e em segurança com os seus Tarecos.

 

FelV  – Leucemia felina

A Leucemia felina é uma doença causada pelo vírus FeLV que compromete as defesas imunológicas dos gatos domésticos e felinos selvagens. Com o vírus, o felino fica vulnerável a doenças infecciosas, lesões na pele, desnutrição, cicatrização mais lenta de feridas e problemas reprodutivos.

Mais da metade dos casos não desenvolvem sintomas. Nos que desenvolvem podem surgir sintomas como:

  • Perda de peso;
  • Desnutrição;
  • Secreção nasal e ocular excessiva;
  • Diarreia persistente;
  • Imunodeficiência;
  • Tumores em células linfáticas.

A leucemia felina, não é igual à leucemia humana e não contagia humanos, transmitindo-se somente de felino a felino, pela saliva ou pelo sangue. Os gatos vacinados contra a leucemia estão protegidos em 95% dos casos. Esterilizando o animal, diminui-se a probabilidade de contaminação para o caso de este ter acesso à rua evita-se o contato com outros gatos que possam ser portadores do vírus, reduzindo a probalidade de se infectar.

Existe uma vacina contra o vírus que também previne contra outras quatro doenças virais felina frequentes e perigosas: rinotraqueíte, calicivirose e clamidiose, pode-se informar junto do seu veterinário. Outra forma importante de prevenir é mantendo os gatos dentro de casa, sem contato com os gatos da rua, e esterilizados, para diminuir  as fugas, brigas e agressividade entre eles.

O FeLV sendo um vírus mais facilmente de contagiar aconselhamos sempre a proteger os gatos não portadores com a vacina contra a leucemia caso na casa tenha gatos portadores de FeLV e/ou a separá-los.

 

Para mais informações acerca do FeLV: pt.wikihow.com/Cuidar-de-um-Gato-com-Leucemia-Felina

 

PIF – Peritonite Infecciosa Felina

A PIF é uma síndrome viral causada por um coronavírus. Há vários tipos de coronavírus no mundo (várias formas de gripe humana são causadas por coronavírus que atacam apenas humanos). A PIF a uma espécie que ataca apenas felinos: o coronavírus felino (FECV).

Existem muitas incertezas quanto à PIF, seja quanto às causas, quanto ao tratamento ou mesmo quanto à prevenção (existe atualmente uma vacina em teste, com resultados muito duvidosos).

Estatisticamente, a maior parte dos gatos afetados pela PIF têm menos de dois anos de idade.

O coronavírus felino entérico (FECV) é diferente da temida PIF. Pode causar episódios de diarreia leve e transitória. Entretanto, o gato positivo para esse tipo de coronavírus normalmente vive uma vida longa e normal. Estima-se que entre 30% e 40% da população felina total no mundo apresente anticorpos para o coronavírus entérico (FECV). O contágio acontece quando um animal saudável ingere fezes contaminadas. O coronavírus pode também ser transmitido aos filhotes, na gestação ou amamentação. É de lembrar que gatos com acesso à rua estão sempre vulneráveis à contaminação pelo coronavírus, que pode estar presente no solo.

Já a temida PIF é causada pelo outro tipo de coronavírus (FIPV). Acredita-se que a PIF ocorra quando o coronavírus entérico (FECV) sofre mutações dentro do organismo do felino e evolui para a PIF (FIPV). A PIF é portanto uma doença secundária do coronavírus, e as duas não se confundem. As causas dessa mutação ainda são desconhecidas, mas especula-se que haja predisposição genética. Especula-se também que a fragilização do sistema imunológico (desencadeada por situações de stress, desnutrição, acometimento por vermes, ou outros problemas de saúde, como a FIV e FELV) possa levar à mutação.

Apenas 1% da população contaminada pelo coronavírus entérico (FECV) irá realmente desenvolver a PIF (FIPV). A mutação é, portanto, considerada rara. Por essa razão, a PIF propriamente dita não é considerada contagiosa, já que depende de circunstâncias internas do organismo do felino.

Estudos apontam ainda que os gatos com PIF não expelem o vírus mutado em quantidades significativas, razão pela qual um gato dificilmente transmitirá o vírus mutado a outro. Além disso, acredita-se que os gatos infectados com a versão benigna do coronavírus [o coronavírus entérico (FECV)] sejam imunes ao vírus mutado expelido pelo gato em estágio avançado de PIF. Assim, eles só desenvolverão a PIF caso o coronavírus benigno sofra mutações dentro do próprio organismo, e não por contágio de outros gatos.

Diagnóstico

Não é fácil diagnosticar a PIF. Nem todos os felinos com PIF apresentam líquido livre no abdômen (a PIF seca ou não-efusiva não apresenta esse sintoma). Existem outras causas para esse sintoma, como reações inflamatórias, trauma, entre outras. Por isso, o diagnóstico de PIF só pode ser feito por veterinários, de preferência especializados em felinos.

O gato com suspeita de PIF necessariamente será positivo para coronavírus entérico (FECV). Para identificar se o gato está infectado com o coronavírus entérico (FECV), os exames mais pedidos são os seguintes:

  • exames de sangue de detecção de anticorpos específicos;
  • teste de DNA, feito em amostras de fezes para identificação do DNA ou RNA de uma sequência do genoma do patógeno (no caso, o coronavírus), chamado PCR ou PCR Real Time. Esses testes são extremamente sensíveis à presença de poucos organismos nas amostras, por isso a sua especificidade e sensibilidade são muito altas. Isto faz com que teste por DNA através de PCR constitua um método muito mais acurado e avançado para pesquisa e fins diagnósticos que testes sorológicos convencionais.

O resultado negativo nesses exames normalmente descarta o diagnóstico de PIF.

Importante reforçar: o resultado positivo nesses exames não é conclusivo para PIF. 30 a 40% da população felina (chegando de 80% a 90% em gatis) testará positivo nesses exames, e somente 1% dessa população desenvolverá PIF. Por isso, é necessário que o médico veterinário associe esse resultado a outros exames clínicos e laboratoriais.

 

Dentre os principais sintomas da PIF estão:

  • perda de apetite;
  • emagrecimento rápido do animal;
  • anemia;
  • diarreia;
  • anorexia (o gato recusa-se a comer);
  • febre constante;
  • abdômen distendido (na forma efusiva);
  • dificuldade respiratória, decorrente do acúmulo de líquido (na forma efusiva);
  • inchaço nos gânglios linfáticos;
  • dores intensas;
  • comprometimento visão ou das funções neurológicas.

Infelizmente, perante um resultado laboratorial positivo para o coronavírus, muitos gatos são eutanasiados sem estarem realmente doentes. Por essa razão, diante de uma suspeita de PIF ou de um resultado laboratorial positivo para o coronavírus, é recomendável que o dono do felino procure um veterinário especializado em medicina felina. Uma titulação de coronavírus em todos os gatos pode ser recomendável, e pode demonstrar que todos os animais são portadores e, já sendo portadores, não representam risco de um para o outro. É importante não deixar que o medo, aliado a informações incompletas fornecidas por veterinários despreparados, leve à decisão de sacrificar o animal.

Tratamento

Não há cura, seja para o coronavírus entérico (FECV), seja para a sua variante PIF.

A maior parte dos gatos contaminados pelo coronavírus entérico viverá muitos anos de forma saudável, sem que o vírus jamais se manifeste. O gato que desenvolve a PIF (húmida ou seca) não tem prognóstico bom. Um gato com PIF efusiva (húmida) viverá no máximo 2 meses. O gato com PIF não-efusiva (seca) pode viver até um ano com boa qualidade de vida.

Nos dois casos de PIF, o tratamento disponível é paliativo. É possível utilizar medicamentos quimioterápicos, medicamentos para estimular o sistema imunológico, anti-inflamatórios, suplementação vitamínica, esteroides para estimular o apetite. Apenas o médico veterinário poderá prescrever o tratamento mais adequado para cada caso. Medicar um animal sem acompanhamento veterinário pode levar a uma piora da situação, já que felinos são muito sensíveis a medicamentos, facilmente se intoxicam, e pode haver comprometimento dos órgãos como o fígado e os rins. Convém lembrar ainda que vários medicamentos seguros para cães são fatais para gatos. Apenas o médico veterinário poderá prescrever um tratamento seguro.

 

Introdução de novos gatos

Caso fique diagnosticado que um gato manifestou a mutação da PIF, não se recomenda a adoção de novos animais por no mínimo 3 meses. Recomenda-se ainda que os novos gatos tenham mais de 2 anos, idade em que se tornam menos suscetíveis à mutação d vírus.

 

Caso tenha alguma dúvida pode-nos contactar pelo mail saude@cantinhodotareco.org ou contactar-nos.

 

Fontes:

pt.wikipedia.org/wiki/Leucemia_felina

pt.wikipedia.org/wiki/Peritonite_infecciosa_felina

vetpovoa.pt

pt.wikihow.com/Cuidar-de-um-Gato-com-Leucemia-Felina